O projeto

A V.tal anunciou a construção de um novo cabo submarino internacional ligando Brasil, a partir de São Paulo, e os Estados Unidos. Batizado como Synapse, o sistema deve ter cerca de 9,7 mil km de extensão, com início de construção previsto para o segundo semestre de 2026 e conclusão estimada entre 2029 e 2030.

A capacidade técnica é dimensionada para o tráfego pesado de IA e nuvem: a nova rota contará com 16 pares de fibra e pretende atender big techs, hyperscalers, provedores de conteúdo e de nuvem com oferta de serviços de transporte de circuitos de até 800 Gbps. A âncora brasileira fica em Praia Grande (SP), com rota terrestre em fibra até São Paulo; nos EUA, a chegada será em Tuckerton, Nova Jersey.

O detalhe estratégico está na ramificação: o cabo terá uma ramificação em Fortaleza, integrada ao data center Mega Lobster da Tecto, unidade da V.tal para o mercado de data centers — conectando diretamente infraestrutura submarina à infraestrutura de processamento local, não apenas de trânsito.

Por que isso não é só sobre “internet mais rápida”

O CEO da V.tal foi direto sobre o motivo do investimento: “Ao integrar infraestrutura submarina, terrestre e de data centers, estamos construindo uma plataforma robusta, escalável e preparada para o futuro, capaz de sustentar o crescimento da economia digital global e o aumento exponencial da demanda por dados entre os dois países”, afirmou Felipe Campos.

O projeto usa tecnologia de ponta para maximizar capacidade sem aumentar proporcionalmente o número de cabos físicos: Space Division Multiplexing (SDM), que multiplica o número de fibras em um mesmo cabo, e Open Cable, abordagem aberta e desagregada.

O Brasil como hub regional, não só ponto de chegada

O Synapse não é o único movimento da V.tal nessa frente. A empresa também investe em conectividade regional dentro da América do Sul: via o cabo Malbec, que conecta Rio de Janeiro, São Paulo, Buenos Aires e, em breve, Porto Alegre — com extensão de 2,5 mil km e branch unit prevista para 2027 —, a rede também interconecta Rio de Janeiro a Fortaleza, Venezuela, Colômbia e Estados Unidos.

Esse cabo já está atraindo investimento direto em data centers: a Tecto anunciou R$ 200 milhões para um novo data center em Porto Alegre (TPOA1), com 20 MW de potência total, conectado diretamente ao cabo Malbec, operando com energia 100% renovável e sistema de refrigeração sem consumo de água.

O contexto macro: por que o Brasil virou destino de investimento pesado

Segundo o Ministério das Comunicações, a atratividade do Brasil combina três fatores concretos: abundância de água e energia, e posição estratégica no tráfego internacional de dados, impulsionada pela rede de cabos submarinos que conecta continentes. Nesse contexto, projeções apontam que data centers devem receber US$ 3 trilhões em investimentos globalmente, com o Brasil despontando como referência na América Latina, apoiado pelo Redata — regime de incentivo fiscal que prevê R$ 5,2 bilhões no orçamento de 2026 para incentivar novos empreendimentos, especialmente em regiões menos atendidas.

O que observar a seguir


Fontes: TELETIME News, Mundo Conectado, DataCenterDynamics, TI Inside, Movimento Econômico, Arandanet.