O tamanho do problema
A pressão energética da IA não é mais projeção distante — está no orçamento deste ano. O consumo mundial de eletricidade dos data centers deve crescer 26% em 2026, passando de 447 TWh em 2025 para 565 TWh, com potência instalada indo de 104 GW para 132 GW no mesmo período, segundo a Gartner. A trajetória aponta para 290 GW até 2030.
O detalhe que separa esse ciclo dos anteriores: servidores convencionais devem crescer só 1,2% em consumo neste ano, enquanto os equipamentos otimizados para IA devem crescer 84,2%, chegando a 175 TWh — 31% de todo o consumo elétrico dos data centers. Não é o data center genérico que está pressionando a rede: é especificamente a infraestrutura de IA.
Diante disso, grandes players já estão garantindo fornecimento dedicado — a Microsoft firmou acordo para apoiar a reativação da antiga unidade 1 de Three Mile Island, hoje Crane Clean Energy Center, para abastecer data centers com energia contínua e de baixa emissão. Segurança energética virou item de estratégia competitiva, não só de sustentabilidade.
O caso brasileiro: crescimento real, mas regulação em aberto
No Brasil, o movimento também é concreto. Segundo a Schneider Electric, há uma aceleração na expansão de data centers no país, estimulada pelo avanço da IA e pela crescente digitalização da economia, com o aumento de demanda por processamento já impactando diretamente o consumo elétrico e impondo desafios à estrutura atual do sistema.
O ponto de atenção está na política pública: o setor aguarda a definição sobre o Redata — Regime Especial de Tributação para Data Centers —, conjunto de incentivos fiscais sobre componentes e equipamentos propostos para viabilizar novos projetos e aumentar a competitividade do Brasil frente a outros mercados. Até agosto de 2026, o Redata permanece em fase de discussão.
Enquanto a definição não vem, o gargalo real é de infraestrutura elétrica: a capacidade do sistema elétrico brasileiro de absorver essa expansão depende de investimentos coordenados em geração, transmissão e distribuição — incluindo linhas de transmissão dedicadas, contratos bilaterais de energia renovável (PPAs) e reforço de subestações próximas aos grandes campi de data centers.
Por que isso é estrutural, não conjuntural
O setor está migrando de um problema de “onde construir” para um problema de “onde conseguir energia”. Relatórios do setor já apontam a densificação extrema acelerada por cargas de trabalho de IA e HPC, e o escalonamento de gigawatts em velocidade sem precedentes como as forças que redefinem como data centers são projetados — cada instalação passa a ser tratada como um sistema único de computação e energia, não dois problemas separados.
O que observar a seguir
- Se o Redata sai da fase de discussão ainda em 2026 e em que formato
- Como distribuidoras e geradoras brasileiras vão precificar contratos dedicados a data centers de IA
- Se o Data Center World Brasil 2026 (São Paulo, 6 a 8 de outubro) traz sinalização concreta de investimento para o país
Fontes: TIRIO (Gartner), TI Inside (Schneider Electric), GRI Hub News, ConvergênciaDigital (Vertiv Frontiers), CryptoID.

